O mercado de trabalho brasileiro voltou a apresentar números historicamente positivos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, mostram que a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto.
O resultado representa o menor nível já registrado para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. No mesmo período de 2025, a taxa havia sido de 5,6%. Em relação ao trimestre encerrado em maio de 2026, quando o desemprego estava em 5,6%, houve queda de 0,3 ponto percentual.
Brasil alcança recorde de pessoas ocupadas
Mais do que a redução da taxa de desemprego, os dados chamam atenção pelo tamanho da população ocupada. Segundo o levantamento, 103,5 milhões de pessoas estavam trabalhando no trimestre de junho a agosto de 2026, o maior contingente da série histórica.
Na comparação com o trimestre anterior, foram aproximadamente 774 mil pessoas a mais trabalhando. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de cerca de 1,1 milhão de ocupados.
A força de trabalho — que reúne pessoas ocupadas e aquelas que estão procurando emprego — também atingiu um recorde, chegando a aproximadamente 109,3 milhões de pessoas.
Emprego com carteira permanece em patamar recorde
Outro indicador relevante para empresas e trabalhadores é o emprego formal. O número de empregados do setor privado com carteira assinada chegou a 39,5 milhões de pessoas, o maior nível já registrado pela PNAD Contínua.
Embora esse contingente tenha apresentado estabilidade nas comparações trimestral e anual, a manutenção do emprego formal em patamar recorde reforça a percepção de um mercado de trabalho ainda bastante aquecido.
Já o número de trabalhadores sem carteira no setor privado ficou em aproximadamente 13,7 milhões de pessoas.
Renda do trabalhador também avança
Os números positivos não aparecem apenas na quantidade de empregos. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento real foi de 3,7%.
A massa de rendimento real habitual — que representa a soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores — alcançou R$ 385,6 bilhões, novo recorde da série histórica. O valor cresceu 4,8% em um ano, o equivalente a aproximadamente R$ 17,5 bilhões adicionais circulando na economia.
Para empresas, especialmente comércio, serviços e pequenos negócios, uma massa salarial maior pode significar maior capacidade de consumo das famílias e, consequentemente, melhores condições para a atividade econômica.
Indústria e construção ampliaram a ocupação
Entre os setores que apresentaram crescimento no número de trabalhadores no trimestre, dois se destacaram.
- Construção: crescimento de 4,1%, com aproximadamente 306 mil trabalhadores adicionais;
- Indústria geral: crescimento de 2%, com cerca de 265 mil novos ocupados.
Na comparação anual, o setor de transporte, armazenagem e correio registrou crescimento de 6,1% na ocupação.
Esses números são importantes porque indicam que a melhora do mercado de trabalho não está concentrada em apenas uma atividade econômica.
Um ambiente econômico mais favorável ao emprego
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o país chega ao segundo semestre de 2026 com um mercado de trabalho resistente e níveis de ocupação historicamente elevados.
O resultado ocorre em um período em que políticas públicas federais têm buscado estimular renda, investimento e formalização do trabalho. O governo federal também tem destacado a valorização real do salário mínimo, programas de investimento e medidas voltadas ao consumo e à atividade econômica como parte de sua estratégia para sustentar emprego e renda.
É importante observar, contudo, que indicadores de emprego são resultado de diversos fatores. O próprio desempenho das empresas, o nível de investimentos privados, as condições de crédito, os juros, a produtividade, a dinâmica demográfica e o comportamento de diferentes setores também influenciam diretamente o mercado de trabalho.
Assim, os números atuais não devem ser atribuídos a uma única política ou agente econômico, mas indicam um cenário que, sob a ótica do emprego e da renda, permanece favorável.
Informalidade ainda é um desafio
Apesar dos recordes, alguns pontos merecem atenção. A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores.
O percentual apresentou pequena alta em relação ao trimestre encerrado em maio, quando estava em 37,3%, embora tenha ficado abaixo dos 38% registrados no mesmo período de 2025.
A redução da informalidade continua sendo um dos principais desafios estruturais do mercado de trabalho brasileiro, especialmente para ampliar a proteção previdenciária, a arrecadação e a segurança jurídica das relações de trabalho.
O que esses números significam para as empresas?
Para empresários, os dados da PNAD Contínua oferecem algumas sinalizações relevantes.
- Maior número de pessoas empregadas tende a contribuir para a manutenção do consumo;
- Crescimento real da renda aumenta o poder de compra das famílias;
- Mercado de trabalho aquecido pode elevar a disputa por profissionais qualificados;
- Emprego formal em patamar elevado exige maior atenção ao planejamento de folha, benefícios e custos trabalhistas;
- Expansão da indústria e construção pode gerar oportunidades em cadeias de fornecedores e prestadores de serviços.
Ao mesmo tempo, juros ainda elevados e sinais de desaceleração em alguns indicadores econômicos recomendam cautela. Para os negócios, o momento continua exigindo planejamento financeiro, acompanhamento de custos e análise permanente do fluxo de caixa.
Perspectiva positiva, com atenção aos próximos indicadores
O resultado do desemprego em agosto reforça uma sequência de indicadores favoráveis do mercado de trabalho brasileiro. Uma taxa de 5,3%, combinada com recordes de ocupação, emprego formal e massa de rendimentos, representa uma base importante para o consumo e para a atividade das empresas.
Nos próximos meses, será importante acompanhar se esse cenário continuará sendo sustentado diante do nível dos juros, da inflação e do ritmo de crescimento da economia.
Para empresários, o principal recado é que um mercado de trabalho forte cria oportunidades, mas também exige gestão: custos trabalhistas, retenção de talentos, produtividade e planejamento tributário tornam-se ainda mais importantes em períodos de elevada ocupação.
Fonte: dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 29 de setembro de 2026.

