Novo golpe do Pix altera QR Code de lojas virtuais e desvia pagamentos: saiba como se proteger

Uma nova modalidade de golpe envolvendo pagamentos por Pix está chamando a atenção no Brasil. Desta vez, o criminoso não precisa necessariamente criar uma loja falsa, enviar uma mensagem de phishing ou convencer a vítima a fazer uma transferência.

O ataque pode acontecer dentro do próprio site de uma loja virtual legítima.

Um código malicioso inserido no e-commerce é capaz de substituir o QR Code verdadeiro do Pix por outro controlado pelos criminosos no momento em que o consumidor realiza o pagamento.

O resultado é preocupante: o cliente acredita que pagou pela compra normalmente, mas o dinheiro é enviado para outra conta.

Segundo informações divulgadas pela empresa de cibersegurança Kaspersky e repercutidas pelo Correio Braziliense, pelo menos 90 lojas virtuais brasileiras de pequeno e médio portes já foram identificadas como comprometidas.

Como funciona o novo golpe do QR Code do Pix?

O diferencial dessa fraude está justamente no local onde ocorre o ataque.

Em vez de tentar invadir o celular ou o aplicativo bancário do consumidor, os criminosos conseguem comprometer o site da loja virtual.

Quando o cliente chega à página de pagamento e escolhe o Pix, o sistema deveria apresentar o QR Code legítimo vinculado à transação.

O código malicioso, entretanto, intercepta esse processo e apresenta outro QR Code.

Assim, o consumidor pode:

  1. escolher o pagamento por Pix;
  2. visualizar aparentemente uma página normal da loja;
  3. escanear o QR Code;
  4. confirmar o pagamento no aplicativo bancário;
  5. enviar o dinheiro para uma conta controlada pelos criminosos.

A fraude também pode atingir o Pix Copia e Cola. Portanto, deixar de escanear o QR Code e copiar manualmente o código apresentado pela loja não elimina necessariamente o risco.

O consumidor pode estar em uma loja verdadeira

Esse é provavelmente o aspecto mais preocupante da fraude.

Estamos acostumados a orientar consumidores a verificarem se estão acessando o endereço verdadeiro da empresa antes de realizar uma compra.

Essa recomendação continua sendo fundamental.

Porém, neste caso específico, até uma loja verdadeira pode estar comprometida.

O consumidor pode acessar o domínio correto, navegar normalmente pelos produtos, adicionar itens ao carrinho e chegar ao checkout legítimo.

A adulteração acontece justamente na etapa do pagamento.

Por isso, uma nova atitude precisa fazer parte da rotina de quem utiliza o Pix:

não basta conferir o site. É preciso conferir quem receberá o dinheiro.

Confira o destinatário antes de confirmar qualquer Pix

Ao escanear um QR Code ou utilizar o Pix Copia e Cola, o aplicativo da instituição financeira apresenta informações sobre a transação antes da confirmação.

É justamente nessa tela que o consumidor precisa redobrar a atenção.

Antes de digitar sua senha ou confirmar o pagamento, verifique principalmente:

  • nome do recebedor;
  • CPF ou CNPJ apresentado, quando disponível;
  • instituição financeira do destinatário;
  • valor da operação;
  • identificação ou descrição do pagamento.

Se você estiver comprando de uma empresa e aparecer como destinatário uma pessoa ou organização completamente diferente, não conclua o pagamento antes de confirmar as informações com a loja.

É importante observar que alguns pequenos negócios podem utilizar soluções de pagamento nas quais o nome exibido não é exatamente igual ao nome fantasia da empresa. Por isso, uma divergência não significa automaticamente fraude.

Mas ela deve ser investigada antes da transferência.

Por que o lojista pode demorar para perceber o golpe?

Existe outro problema nessa modalidade de fraude.

Para o cliente, o pagamento foi realizado.

Para o sistema legítimo da loja, entretanto, nenhum pagamento foi recebido.

Consequentemente, o pedido pode permanecer registrado como pendente, não pago ou até mesmo como uma compra abandonada.

O consumidor normalmente percebe que existe alguma coisa errada quando o produto não é enviado e entra em contato com a empresa.

Nesse intervalo, os criminosos podem movimentar o dinheiro recebido para diferentes contas.

Quanto maior o tempo entre o pagamento e a descoberta da fraude, mais difícil pode ser a recuperação dos recursos.

Fui vítima. O que devo fazer?

Quem perceber que realizou um Pix para um destinatário fraudulento deve agir rapidamente.

Entre as primeiras providências estão:

Entre imediatamente em contato com seu banco. Informe que a transferência está relacionada a uma possível fraude e faça a contestação pelos canais disponibilizados pela instituição.

Solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O mecanismo do Pix foi criado para auxiliar na recuperação de recursos em determinadas situações de fraude.

Avise a loja onde realizou a compra. Se o problema estiver realmente no checkout da empresa, outros consumidores também podem estar correndo risco.

Registre um boletim de ocorrência. O documento ajuda a formalizar o ocorrido e pode ser importante em eventuais medidas posteriores.

Quanto mais rapidamente a fraude for comunicada, maiores podem ser as possibilidades de localizar e bloquear valores antes que sejam transferidos para outras contas.

O MED, entretanto, não representa garantia automática de devolução do dinheiro. A recuperação depende da análise da fraude e da existência de recursos que possam ser localizados e bloqueados.

Guarde todas as provas

Além de comunicar rapidamente a fraude, preserve todas as informações relacionadas à compra.

Guarde:

  • comprovante completo do Pix;
  • data e horário da transferência;
  • identificação da transação;
  • dados do destinatário;
  • número do pedido;
  • endereço da página onde a compra foi realizada;
  • prints da tela de pagamento;
  • e-mails recebidos;
  • conversas com a empresa;
  • protocolos de atendimento;
  • comprovantes da contestação realizada junto ao banco;
  • boletim de ocorrência.

Esses documentos podem ser importantes para demonstrar posteriormente como a fraude ocorreu.

O alerta também é importante para empresários

O novo golpe do Pix não representa apenas um problema para quem compra pela internet.

Ele é um importante alerta para empresas que possuem e-commerce.

Segundo as investigações divulgadas até o momento, os sites identificados utilizavam a plataforma Magento, e falhas de manutenção e segurança podem facilitar a exploração de vulnerabilidades.

Isso não significa que todo site que utiliza essa tecnologia esteja vulnerável. O episódio reforça, entretanto, a importância da manutenção contínua da infraestrutura de comércio eletrônico.

Uma invasão desse tipo pode provocar consequências muito maiores do que a perda de uma venda.

Imagine o seguinte cenário:

o cliente compra na sua empresa;

realiza o pagamento;

o dinheiro é desviado;

o sistema informa que o pedido continua pendente;

e dias depois o consumidor procura sua empresa cobrando a entrega.

Do ponto de vista dele, o pagamento foi realizado dentro do ambiente da sua loja.

Além do prejuízo financeiro, a situação pode gerar reclamações, disputas judiciais e, principalmente, danos à reputação da empresa.

Como proteger uma loja virtual?

Empresas que recebem pagamentos pela internet devem tratar a segurança do checkout como parte essencial da operação.

Algumas medidas importantes incluem manter a plataforma de e-commerce e seus componentes atualizados, revisar plugins e extensões instalados, limitar os acessos administrativos e utilizar autenticação multifator.

Também é recomendável monitorar alterações realizadas nas páginas de checkout e nos dados utilizados para pagamento.

Mudanças inesperadas em QR Codes, chaves Pix ou scripts carregados durante a finalização de uma compra precisam ser investigadas.

Outro sinal de alerta pode aparecer nos próprios indicadores comerciais.

Se uma loja começar a registrar um crescimento anormal de pedidos aparentemente abandonados ou pagamentos Pix que nunca são confirmados, vale investigar imediatamente.

Segurança digital também é gestão empresarial

Pequenas e médias empresas estão cada vez mais digitalizadas.

Sites, sistemas de gestão, plataformas de pagamento, serviços em nuvem e integrações fazem parte da rotina de milhares de negócios.

Isso significa que segurança da informação deixou de ser uma preocupação exclusiva de grandes empresas ou departamentos de tecnologia.

Uma vulnerabilidade em um site pode produzir impactos financeiros, comerciais, jurídicos e reputacionais.

Manter sistemas atualizados, revisar acessos, realizar backups e acompanhar comportamentos anormais deve fazer parte dos controles internos de qualquer negócio que realize vendas ou operações financeiras pela internet.

Pix continua seguro, mas atenção na hora de pagar é indispensável

É importante destacar que a fraude relatada não significa que o sistema Pix tenha sido invadido.

O ataque ocorre no ambiente da loja virtual comprometida, antes da confirmação da transferência pelo consumidor.

Por isso, uma das melhores barreiras contra esse tipo de fraude continua sendo uma atitude simples:

antes de confirmar um Pix, leia os dados apresentados pelo seu banco.

Não trate a tela de confirmação como uma simples formalidade.

Verifique quem está recebendo.

Alguns segundos de atenção podem evitar um prejuízo significativo.


Resumindo: como se proteger do novo golpe do Pix

Antes de pagar uma compra on-line com Pix, confira o destinatário apresentado pelo aplicativo bancário e desconfie de informações incompatíveis com a empresa onde está comprando.

Se houver qualquer divergência, interrompa o pagamento e entre em contato com a loja por um canal oficial.

Caso já tenha realizado a transferência e perceba a fraude, comunique imediatamente seu banco, solicite a análise pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), avise a loja, registre um boletim de ocorrência e preserve todas as provas da operação.

Para os empresários, o episódio deixa uma mensagem igualmente importante: a segurança do site e do ambiente de pagamentos também faz parte da proteção financeira da empresa e de seus clientes.

Fonte

Este artigo foi elaborado a partir de informações publicadas pelo Correio Braziliense, em reportagem de 9 de setembro de 2026, sobre a nova modalidade de fraude identificada em lojas virtuais brasileiras, além de informações divulgadas pela Kaspersky e repercutidas por outros veículos de imprensa.

Referência principal: Correio Braziliense — “Novo golpe altera QR Code do Pix em lojas virtuais e desvia dinheiro”, publicado em 09/09/2026.

Conteúdo informativo produzido para o blog da Carmelitas Contabilidade. As orientações apresentadas não substituem análise jurídica, bancária ou de segurança da informação aplicável a cada situação.

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