Greve nos Correios: logística em movimento

Greve dos Correios continua: veja como empresas podem reduzir os impactos nas entregas

Atualizado em 18 de setembro de 2026.

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios ultrapassou uma semana e continua afetando a operação postal em diferentes regiões do país. Para empresas, especialmente lojas virtuais, pequenos negócios, escritórios e organizações que dependem do envio de documentos e mercadorias, o momento exige atenção aos prazos e um plano alternativo de logística.

O movimento foi iniciado após as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho terminarem sem consenso. Entre os principais pontos de divergência estão o reajuste salarial e mudanças relacionadas ao plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para segunda-feira, 21 de setembro de 2026, às 13h30, quando o Tribunal Superior do Trabalho deverá analisar o conflito entre a empresa e os trabalhadores.

Os Correios estão totalmente parados?

Não.

O Tribunal Superior do Trabalho determinou que 80% do efetivo seja mantido em atividade durante a paralisação. A determinação alcança unidades e atividades essenciais da cadeia postal, incluindo atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas de suporte necessárias à continuidade dos serviços.

Os Correios também informaram que acionaram medidas de continuidade operacional, com remanejamento de recursos e reforço das atividades de entrega.

Isso significa que postagens e entregas continuam ocorrendo, mas a manutenção dos serviços não garante que todos os prazos originalmente previstos serão cumpridos.

Já existem relatos de encomendas atrasadas, objetos sem atualização recente no rastreamento e dificuldades enfrentadas por pequenos vendedores que dependem dos Correios para entregar suas vendas.

Quais empresas tendem a sentir mais os efeitos da greve?

O impacto tende a ser maior para empresas cuja operação depende diretamente do fluxo postal.

É o caso, por exemplo, de:

  • lojas virtuais e marketplaces;
  • pequenos vendedores que utilizam PAC ou Sedex;
  • empresas que enviam produtos diretamente aos consumidores;
  • escritórios que encaminham documentos físicos;
  • negócios que utilizam logística reversa para trocas e devoluções;
  • empresas que recebem peças, materiais ou documentos importantes pelos Correios;
  • negócios localizados em regiões com menor oferta de transportadoras privadas.

Para essas empresas, simplesmente continuar utilizando os mesmos prazos de entrega anteriores à greve pode gerar aumento de reclamações, cancelamentos e pedidos de reembolso.

O que a empresa deve fazer durante a greve dos Correios?

O primeiro passo é reconhecer que este é um período de maior incerteza logística.

1. Reveja temporariamente os prazos informados aos clientes

Empresas que vendem pela internet devem evitar manter prazos extremamente apertados enquanto houver instabilidade na operação postal.

Se normalmente a loja informa entrega em cinco dias úteis, por exemplo, pode ser prudente adicionar uma margem de segurança ao cálculo. O mais importante é que o prazo informado ao consumidor seja realista.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que informações suficientemente precisas apresentadas na oferta vinculam o fornecedor. Caso a oferta não seja cumprida, o consumidor pode, conforme a situação, exigir seu cumprimento, aceitar prestação equivalente ou rescindir o contrato. Consulte o texto legal no Portal do Planalto.

2. Informe os clientes antes que eles reclamem

A comunicação deve ser proativa. Se a empresa identificar que determinada encomenda está parada ou com atraso significativo, é melhor avisar o cliente antes que ele precise entrar em contato.

Uma mensagem simples pode informar que o pedido já foi despachado, existe uma paralisação nacional, a entrega está sendo acompanhada e o cliente será atualizado sempre que houver nova movimentação.

3. Diversifique as transportadoras

Empresas com volume relevante de vendas não deveriam depender exclusivamente de um único operador logístico.

Durante a greve, vale pesquisar:

  • transportadoras privadas;
  • plataformas integradoras de frete;
  • serviços de entrega regional;
  • motoboys para entregas locais;
  • transportadoras especializadas em determinados produtos;
  • retirada presencial ou em pontos combinados.

Não significa necessariamente abandonar os Correios. A estratégia pode ser manter PAC e Sedex para determinadas localidades e utilizar outra transportadora para regiões ou pedidos mais urgentes.

4. Separe pedidos normais dos pedidos urgentes

Nem toda encomenda precisa receber o mesmo tratamento. A empresa pode classificar os pedidos por urgência, valor, destino e margem do produto.

Essa análise ajuda a evitar que a empresa simplesmente migre todos os pedidos para opções mais caras.

5. Acompanhe diariamente os rastreamentos

Durante períodos de instabilidade logística, acompanhar pedidos individualmente se torna ainda mais importante.

Empresas com volume elevado podem criar rotinas para identificar encomendas que estão:

  • sem movimentação há vários dias;
  • acima do prazo esperado;
  • aguardando retirada;
  • em processo de devolução;
  • com tentativa de entrega frustrada.

Os Correios mantêm soluções voltadas a empresas, com ferramentas para gestão logística, acompanhamento de serviços e integração. Consulte Correios Empresas.

6. Empresas com contrato devem utilizar o Correios Empresas

Clientes empresariais com contrato possuem acesso ao Correios Empresas, plataforma que centraliza funcionalidades relacionadas à operação logística.

Durante a greve, é recomendável acompanhar se coletas programadas continuam ocorrendo normalmente e, caso não ocorram, registrar a ocorrência junto ao atendimento empresarial.

7. Guarde protocolos e comprovantes

A empresa deve manter registro de:

  • códigos de rastreamento;
  • datas das postagens;
  • comprovantes de postagem;
  • protocolos de reclamação;
  • telas de rastreamento;
  • contatos realizados com os Correios;
  • comunicações enviadas aos clientes.

Essas informações ajudam na gestão interna e podem ser relevantes caso exista posteriormente necessidade de discutir indenizações, reembolsos ou responsabilidades contratuais.

8. Dê atenção especial à logística reversa

Lojas virtuais também precisam considerar as devoluções. Os Correios oferecem logística reversa para clientes com contrato de encomendas, permitindo que consumidores realizem a devolução sem pagar diretamente pela postagem.

Mais informações estão disponíveis na página oficial de Logística Reversa dos Correios.

Documentos importantes devem ter alternativas digitais

Empresas que ainda dependem dos Correios para encaminhar documentos físicos devem verificar se o procedimento realmente exige papel.

Sempre que juridicamente possível, podem ser utilizadas alternativas como:

  • documentos eletrônicos;
  • assinatura digital;
  • e-mail com confirmação;
  • plataformas de assinatura;
  • sistemas oficiais de protocolo eletrônico.

Documentos com prazo processual, contratual ou administrativo merecem atenção especial. Quando a legislação ou o contrato exigir determinada forma de entrega, a empresa deve verificar previamente as alternativas admitidas antes de substituir o envio postal.

E-commerce deve atualizar seus clientes

Para lojas virtuais, um aviso no próprio site pode evitar diversos problemas.

A empresa pode informar que, em razão da paralisação nacional, pedidos enviados pelos Correios poderão apresentar prazo adicional de entrega.

Isso não significa eliminar a responsabilidade da empresa, mas aumenta a transparência da relação com o consumidor e permite que ele escolha entre as modalidades disponíveis.

Atenção: nem todo atraso atual decorre exclusivamente da greve

Existe outro fator que merece atenção. Os Correios comunicaram impactos decorrentes de interrupções no transporte aéreo determinadas pela Agência Nacional de Aviação Civil. Dependendo da faixa de CEP, esses efeitos podem permanecer reconhecidos até 30 de setembro de 2026, afetando transporte, tratamento, distribuição e prazos de entrega.

Por isso, uma encomenda atrasada durante setembro pode estar sendo afetada pela greve, por restrições no transporte aéreo ou pela combinação de diferentes fatores operacionais.

Não suspenda as vendas: adapte a operação

Para a maioria das empresas, a melhor estratégia não é interromper completamente os envios.

O ideal é criar um plano temporário de contingência logística:

  • Correios funcionando normalmente no destino: manter o envio habitual.
  • Região com atrasos frequentes: aumentar o prazo prometido.
  • Pedido urgente: oferecer transportadora alternativa.
  • Entrega local: avaliar serviço próprio ou motoboy.
  • Encomenda parada: abrir protocolo e comunicar o cliente.
  • Pedido de alto valor: avaliar solução com melhor rastreabilidade e seguro.

Greve será analisada pelo TST em 21 de setembro

O cenário ainda pode mudar rapidamente.

O julgamento do dissídio coletivo entre os Correios e os trabalhadores está previsto para 21 de setembro de 2026. Até que exista uma definição, empresas devem continuar trabalhando com a possibilidade de atrasos e oscilações na operação.

Independentemente do desfecho da greve, o episódio mostra a importância de empresas manterem alternativas de logística disponíveis.

Planejamento pode evitar prejuízos

A greve dos Correios não precisa necessariamente paralisar a operação de uma empresa.

Com revisão de prazos, monitoramento dos pedidos, comunicação transparente e alternativas de transporte, é possível reduzir significativamente os impactos.

Para pequenos negócios e lojas virtuais, o principal cuidado deve ser equilibrar custo do frete, prazo prometido e experiência do cliente.

A Carmelitas Contabilidade recomenda que empresários também avaliem os efeitos financeiros de eventuais cancelamentos, devoluções, fretes adicionais e atrasos no recebimento de mercadorias, incorporando esses riscos ao planejamento de caixa enquanto durar a paralisação.

Fontes e referências: Agência Brasil; Agência Brasil — decisão do TST; Correios Empresas.

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