Os empregados da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve nacional após rejeitarem a proposta final apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A paralisação, iniciada em 10 de setembro de 2026, segue por tempo indeterminado enquanto as entidades representativas dos trabalhadores buscam a retomada das negociações.
O principal ponto de divergência está no Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. As mudanças propostas para o custeio, mensalidades e coparticipações foram consideradas insuficientes pela representação dos trabalhadores para encerrar o movimento.
Proposta foi rejeitada pelos empregados
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos participantes da assembleia encerrada em 11 de setembro votaram contra a proposta. A rejeição manteve a mobilização nacional, que já havia levado ao fechamento de agências em diferentes regiões do país.
Antes da votação, a Caixa havia indicado que a proposta apresentada seria final. Com a recusa dos empregados, permanece a possibilidade de o impasse ser levado à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo. Apesar disso, o banco afirma que mantém o diálogo aberto com as entidades sindicais.
O que a Caixa ofereceu na proposta
Entre os pontos apresentados pela Caixa estavam medidas financeiras e alterações relacionadas ao plano de saúde. A proposta previa:
- prêmio de R$ 3 mil por empregado;
- pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio;
- elevação de 6,5% para 8% do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa;
- antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030;
- pagamento de valores relacionados ao PAMS a partir de 2027;
- R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
- criação de grupos de trabalho para discutir eficiência do plano e novas fontes de financiamento.
Saúde Caixa concentra o principal impasse
As novas regras sugeridas para o Saúde Caixa foram o ponto mais sensível da negociação. A proposta previa contribuição dos empregados variando de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária.
Para dependentes, os valores mensais propostos variavam entre R$ 480 e R$ 660, também de acordo com a idade. O teto anual de coparticipação por grupo familiar passaria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil.
Também estavam previstas outras alterações, como limite de 9% para o grupo familiar, piso de R$ 50 por beneficiário, cobrança de 13 mensalidades e aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto de coparticipação.
A proposta incluía ainda isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina e recadastramento anual obrigatório. Haveria uma janela de 90 dias para adesão de titulares atualmente fora do plano, mas, após eventual cancelamento, não seria permitido o reingresso.
Greve pode chegar à Justiça do Trabalho
Com a rejeição da proposta, a Caixa poderá avaliar a instauração de dissídio coletivo. Esse mecanismo permite que a Justiça do Trabalho seja chamada a analisar o conflito e estabelecer condições para a solução do impasse quando não há acordo entre as partes.
A eventual judicialização, no entanto, não impede a continuidade das negociações. O próprio banco informou que pretende continuar buscando entendimento com os representantes dos empregados.
Como ficam os atendimentos da Caixa durante a greve
Durante a paralisação, clientes devem priorizar os canais digitais, eletrônicos e a rede de correspondentes. Permanecem disponíveis, entre outras opções:
- aplicativo Caixa;
- Internet Banking;
- WhatsApp Caixa;
- Caixa Tem;
- aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS;
- caixas eletrônicos;
- rede Banco24Horas;
- lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
O atendimento telefônico também continua disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades.
O que clientes e empresas devem observar
Para empresas e clientes que dependem de atendimento presencial, a recomendação é antecipar o planejamento de operações que possam exigir comparecimento a uma agência. Processos específicos, conferência documental, liberações ou outras demandas presenciais podem enfrentar maior tempo de atendimento enquanto a paralisação estiver em curso.
Por outro lado, pagamentos, tributos, boletos e demais obrigações continuam com seus vencimentos normais. Por isso, é importante utilizar os canais digitais disponíveis e evitar deixar transações para o último momento.
A duração da greve dependerá do avanço das negociações entre a Caixa e as entidades que representam os empregados. O Saúde Caixa permanece como o centro da discussão e tende a ser decisivo para a construção de um eventual acordo.
Fonte: matéria publicada pela Agência Brasil, com informações sobre a rejeição da proposta e a continuidade da greve nacional dos empregados da Caixa.

